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Relato ao quadrado (Parto da Júlia)

Aproveitando o final de semana para atualizar minhas leituras, acabo me deparando com as postagens da Anne e da Mari . Você já viu?! Mexeu comigo porque minha história é repleta de semelhanças, mexeu comigo porque eu ainda estava no modo lamentação, mexeu comigo porque alguém precisava fazer com que eu encarasse e curasse essas feridas. Pelas minhas filhas e por mim. Obrigada pela reflexão, meninas! De verdade!!

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Já comentei aqui que foi durante a gestação da Júlia (aos 19 anos) que descobri os blog's de mães. Adorei e fiz um para registrar os avanços da gravidez. Não tornei o blog (nem me lembro mais o nome) público porque a exposição não fazia sentido para mim. Além de me dar medo. Minha última postagem relatava o nascimento da Júlia e o blog foi excluído pouco tempo depois (quanto arrependimento!!!).

Apesar de ter sido gerada sem planejamento algum (cursava faculdade e era estagiária), a Júlia foi muito desejada e curtida desde os primeiros instantes em que me descobri grávida. Era a realização do meu sonho maior - ser mãe! O pai dela (que não é o Juan, meu atual companheiro e pai da Joana) recebeu muito bem a notícia e me acompanhou em todos os exames e consultas! 

Na época minha prima estava grávida também (de 7 meses)... ela tinha 18 anos. Passávamos por um momento muito semelhante de vida. "Juntadas" com os namorados, morando próximo, grávidas. Foi uma fase  muito gostosa! Aliás, é uma delícia compartilhar experiências assim com as amigas, né?! Lembro bem que nós duas falávamos em parto normal. Ela entrou em trabalho de parto e ralou uma noite inteira, mas não dilatou o suficiente e acabou numa cesárea. Lembro-me bem que da história dela o que mais me marcou foi a raiva que ela transbordava no dia seguinte por não ter conseguido o parto que queria. Seu filho estava ali, saudável em seus braços, mas ela estava claramente abalada, inconformada. Depois da alta do hospital ela teve enxaquecas terríveis e acabou tendo de voltar e ficou internada por mais um dia ou outro.

Com 5 meses de barriga eu me inscrevi numa aula de hidroginástica. Não era lá um grande exercício, mas certamente era algo que contribuía para que eu não ficasse parada. Nessa altura do campeonato eu já tinha largado o estágio e estava morando de novo na casa da minha mãe. Fazer algo era necessário para que eu não comesse o dia inteiro. Mesmo assim pesei 16kg a mais na penúltima semana (não me pesei no dia do parto então não sei se na última semana ganhei mais alguma coisa... tenho certeza que sim... mas... 16kg já estava demais!). Não fiz nenhum outro preparo para o parto normal e apenas lembro de caminhar bastante nos últimos dias pra ver se Juju resolvia dar sinal. Como não aconteceu, recebi uma ligação da doutora que sugeriu que a cesárea fosse marcada para o dia seguinte (27/12/2004 - DPP). Eu questionei se não poderíamos aguardar até 42 semanas (tinha aprendido isso nas minhas leituras bloguísticas) e a médica me informou que com tanta tecnologia disponível perder um bebê naquela altura do campeonato por CAPRICHO da mãe era inaceitável. Terrorismo feito... eu questionei sobre a possibilidade de induzirmos o parto. Mais uma vez ela se colocou contra com o argumento de que um bebê de 4kg me faria sofrer demais (na última US Juju pesou mais de 3.700g). Pedi um tempo para pensar. Pesquisei tudo o que pude sobre indução, mas acabei decidindo pela cesárea. Não pelo meu provável sofrimento, mas porque vi que as contrações não naturais geravam muito estresse ao bebê e que em muitos casos a mulher acabava mesmo na faca.

Cheguei um pouco atrasada ao hospital, minha chegada era aguardada às 6h e eu só cheguei às 6h30. A médica chamou minha atenção por isso. Lembro-me bem que no longo caminho até o hospital fui fazendo as pazes com a cesárea... pedindo em silêncio que minha filha viesse com saúde e que tudo corresse bem. Eu não queria sofrer como minha prima e muito menos queria deixar de curtir o dia mais importante da minha vida. E assim foi! Depois de assinar toda a papelada fui encaminhada ao centro cirúrgico. Percebi o frio do ar condicionado no momento em que troquei minha roupa por aquela "camisola" de hospital. Tive de aguardar em uma salinha e mentalmente mandava o medo e a ansiedade irem embora. Não fui amarrada, a anestesia me fez vomitar passar mal (visualizei aquele sendo o último episódio... já que eu tinha sofrido com isso durante os 9 meses) e apesar de meio grogue eu consegui acompanhar o que acontecia ali. A equipe conversava sobre coisas triviais, o ar condicionado estava um gelo, o pai da Júlia segurava a minha mão o tempo todo e registrava em fotos o que conseguia, minha pressão caia... o anestesista pedia para que eu prestasse atenção à respiração, a doutora disse que meu útero estava muito espesso e que eu jamais entraria em TP (só pra confirmar a teoria dela... até hoje eu tento me conformar com essas palavras, mas não consigo). Ah! Ela também perguntou ao pai da Júlia se ele me colocava para malhar... disse que meus músculos eram de atleta! Um mega elogio depois de passar a gravidez inteira no meu pé por conta do ganho de peso (aos 6 meses ela chegou a desconfiar de diabetes gestacional). Logo ela anunciou os cabelos da Júlia e aí eu comecei a chorar compulsivamente e nem me lembro quando consegui parar. Foi MUITO emocionante! Júlia foi tirada (eu senti uma pressão muito estranha... não dói, mas a gente sente algo sendo arrancado de dentro...) e veio com seu choro forte ser acalentada pela minha voz. Não fiquei com ela nos braços nesse primeiro momento, mas alguém a segurava perto de mim e eu pude desejar-lhe boas vindas e dizer que mamãe estava ali. Ela parou de chorar. Como combinado o pai da Ju acompanhou (e registrou) todos os procedimentos pediátricos e logo após a limpeza ficou com ela no colo o tempo todo. Foi até a sala em que eu era costurada com Júlia dormindo nos braços, mas ficou pouco por conta do ar congelante. Logo que fui encaminhada para a sala de recuperação pude ter minha filha em meus braços. Ela mamou ali mesmo enquanto eu aguardava o retorno de minhas pernas. Cerca de 30/40 minutos após o nascimento. Foi muito bom tê-los por todo o tempo junto de mim. Não costumo ver esse relato em outros partos cesáreos. Não sei quanto tempo levou (acho que umas 2h) para que eu fosse para o quarto. Fiquei meio zonza e passei o dia sem muita vontade de interagir com as visitas... só queria saber da minha filha que mamava e dormia. Em alguns momentos eu fingia que dormia para não ser incomodada. Senti algumas dores (não podia rir ou tossir) e tive quedas de pressão na primeira noite. Mas depois a recuperação correu super bem! Minha mãe até chamava minha atenção porque com 5 dias eu já estava subindo e descendo as escadas da casa (o computador ficava no andar de cima!rs). Minha cicatriz é praticamente imperceptível. 

Mesmo com essa história de sucesso eu sempre desejei que com o segundinho tudo, TUDO fosse diferente! Eu me via tomando maiores cuidados durante a gravidez (e até antes, porque o segundo certamente seria planejado!), engordando pouco, me alimentando super bem, fazendo exercícios diários! Eu me via entrando em trabalho de parto, sentindo as contrações, tendo prazer mesmo com a dor. Eu me via tendo um parto normal, humanizado, com pessoas queridas ao meu lado.

E, então, 6 anos depois veio a Joana...
(continua...)

Comentários

  1. Ë engraçado como os relatos de cesárea são parecidos. Principalmente naquela parte que a gente se dá conta que não era bem assim, apesar do profissionalismo do cirurgião. 
    Eu fui feliz com a minha 1a cesárea durante quase 4 anos, a médica "salvou" (uma volta de cordão no pescoço) minha filha, a recuperação foi razoável, minha forma física não mudou, cicatriz abaixo da linha do biquini, do que eu poderia reclamar, né?
    Até que um dia eu resolvi ter outro filho...Pronto, foi uma cachoeira de informações que nunca mais pararam de chegar e mudou toda a história q antes era feliz.

    O bom é que as mudanças fazem crescer!!
    Bj

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  2.  Oi Fabiana, realmente quase nunca ouvimos falar de bebes que ficam logo com a mãe numa cesariana. Que bom que vc pode ficar pertinho dela e do pai dela.
    Não foi do jeito que vc queria, mas como vc diz, no final deu tudo certo!

    aguardando cenas do próximo capítulo! hahahaha

    Beijos
    http://odonodomeumundoazul.blogspot.com/

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  3. Acho um absurdo ouvir isso de um médico. Capricho?! Humpf. E a frieza da médica de ainda chamar sua atençnao qto a horário!? Qtas mil vezes esperamos por eles?!

    Sabe, hj tô meio revolt com certos médicos. A esposa de um amigo tinha (TEM!) tudo para um lindo PN como ela sempre desejou, mas não encontrou pelo plano nenhum médico que a apoie, todos cesaristas. Ela deixou de lado toda sua filosofia e tá com cesárea marcada já. E arrasada. Fico P da vida com isso!

    Anyway... Doida para saber do "continua"... ! Bjão!

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  4. Que relato bonito Fabi, parabens pelo parto que foi um sucesso (tirando a ironia da medica) e fiquei emocionada com a parte que vc diz que ficou com ela dormindo em seus braços antes mesmo de ir para o seu quarto. Fico imaginando e penso quando fiquei assim com o Erik tb, muito lindo. Estou curiosíssima para saber a continuação. No Br, poucos sao os medicos eticos e humanizados, mas O mais importante do parto é a vida do filho e da mae.

    bjssss

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  5. Adoro ler esses relatos...o Arthur tbém é do dia 27/12 e a Letíca eu esperei até onde podia (42 semanas) sonhando com o parto normal q não chegou  ( n tive dilatação, contrações nada...) e assim como vc carrego minhas frustraçãozinha eterna por isso, mas nada que me fizesse não curtir o nascimento dela. Volto pra ler o da Joana, fiquei curiosa rs
    Bjoss

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