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Aquelas quatro paredes

A sala é pequena e, às vezes, quente. Olho de novo. Não é tão pequena assim. Eu que pareço ocupar muito espaço com todos os meus pensamentos. O calor vem do sol que bate nos vidros da janela, mas também da figura acolhedora que se posiciona em uma poltrona à frente. Não existe divã, que bom! Tenho essa necessidade estúpida de me manter no controle de tudo. Tirar os pés do chão e ficar de costas não me faria mergulhar mais afundo.

Meus pensamentos logo viram palavras. Anseio por uma guiada, senão nada do que digo terá sentido ou começo, meio e fim. Percebo minha ansiedade e euforia. Tudo pq tenho a chance de me expressar sem pressa, sem interrupções. Lembro dos diálogos familiares sempre frustrados por ninguém se ouvir de fato. Logo, concluo minha carência.
Terá saído desse lugar a vontade de divagar publicamente (para além de meus caderninhos?). Não sei. Minha fala é comumente enfática, mas não ouso querer mudar a opinião do outro. Se vc me conhece, deve estar duvidando disso. Mas, em…
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Visitas domiciliares a mães puérperas

Dia desses, bati um papo filosófico com a Eliana Rigol (@maternitylivre) e queria vir aqui contar sobre o resultado dessa experiência que até agora está mexendo comigo! Eliana é dessas mulheres diferenciadas que emanam força e despertam muita admiração. Espírito livre lifestyle, acompanho suas reflexões há pouco mais de 1 ano e isso tem sido alimento riquíssimo pra minha alma. Mulher multifacetada, ela me ensina que desperdício é viver com medo da ação. Eu, particularmente, sempre fui meio cagona. Um caso clássico da Síndrome do Impostor. Facilmente, desdenho das minhas potencialidades e sinto-me uma fraude. Mas tenho me trabalhado para reverter isso, porque a vida é finita e eu quero aproveitar ao máximo minha passagem. 
Parte desse meu processo tem envolvido conhecer mulheres que me inspiram. Seja por documentários, livros ou pessoalmente (esses encontros tem sido mágicos). Nós, mulheres, somos incríveis quando nos unimos! O feminino tem uma força-vida potente que gesta, que pari, qu…

Parto da Jade

Passei a gestação inteira dizendo que ela chegaria no mês de julho. Estratégia para aplacar a ansiedade alheia, já que doce espera sempre teve mais a ver com puta agonia pra mim. Não vou mentir, parece piada, mas não consigo curtir gravidez. Passo muito mal no início, depois fico mega prostrada, minha irritabilidade alcança níveis desumanos (pergunta lá pro marido!) e, por fim, engordo absurdamente. Não vejo graça. Lógico que tem o lado bom da coisa. Cabelos sedosos, filas preferenciais e, claro, o bebê que tá lá dentro. Quando os chutes não miram suas costelas, posso garantir, não há melhor sensação no planeta.
A DPP (data prevista pro parto), dia em que a gestação alcança 40 semanas, era 27 de junho. Eu tinha toda a fé do mundo que ela chegaria bem antes disso. Era tanto cansaço que rolava, uma impaciência tão grande da minha pessoa, que o bebê obviamente desejaria sair logo dali. Ambiente desfavorável. E eu conversava incansavelmente com a barriga sobre as vantagens de se viver aqui…

Mãe que trabalha fora

Estava aqui me aventurando pelos arquivos antigos do blog e percebi que uma das últimas postagens que fiz foi logo que entrei no meu trabalho. Empresa gigante e inúmeras possibilidades de encarreiramento. Quando criança, a minha primeira resposta àquela pergunta infame que nós adultos insistimos em fazer - "o que vc quer ser quando crescer?" - era "ser mãe". Mas eu tinha outras opções em mente, pensava em ser empresária, tal qual meu pai. Ou executiva de uma multinacional. Achava lindo! Sonhava ser gente que manda em gente se equilibrando num salto alto agulha e desfilando tailleur de grife.
Já me afundei em lamúrias por não ter alcançado esse posto de mulher de negócios tipo capa da Forbes. Do alto dos meus 15 anos, achava que aos 30 eu estaria no auge da minha brilhante carreira. Quanta inocência. Não foi nada disso. Aquele desejo infantil era mais forte. Tornei-me mãe menos de 1 mês depois de cortar o bolo dos 20 anos. E a comemoração dos 30 anos foi pouco depois…

Para Juliana

Ontem, você dormiu pela primeira vez sem chupeta. Tudo por conta de um batom que sua irmã Júlia lhe emprestou em troca daquele seu copo novo da Minnie. Sua vaidade foi mais forte que seu vício ou você já está mais preparada para se livrar desse bico do que imagina. Eu, que tenho tentado respeitar o seu momento, fiquei muito feliz e emocionada em perceber que você está crescendo! Enquanto acarinhava seus cabelos cor de sol, viajei por toda a nossa história. 

Você mamou logo que nasceu, filha, e eu naquele momento achei que tiraria de letra essa coisa de amamentar gêmeos. Eu tinha acabado de parir vocês dois, né?! O que poderia ser mais difícil? Acontece que a gente se prepara para o parto, mas nunca para o que vem depois disso. E nós duas pelejamos, pequena. Sua pega era muito ruim e você não conseguia sugar a quantidade de leite que precisava para crescer e se desenvolver bem. Por 2 meses e meio, tentamos de tudo para que você não deixasse de mamar no peito da mamãe. Tentamos complemen…

O parto dos gêmeos - Parte 3 (final)

Depois de finalizar a burocracia da internação, fomos finalmente para o quarto onde ficamos acompanhando as contrações que estavam mais ou menos de 3 em 3 minutos. E assim seguiram até 5h da manhã quando tive uma parada de progressão. Parou. Tudo. Eu não sentia mais absolutamente nada. Lembro-me bem do medo. Medo de chegar até ali e acabar morrendo na praia. Eu estava então com 5 cm de dilatação. Voltar para casa não era mais possível. "- Só sairemos desse hospital com os bebês nos braços.", falou Dra. Caren. Juan ficou super ansioso com isso! Eu e Taíza começamos a caminhar pelo hospital, subimos e descemos as escadas. Todos olhavam para nós. Eu devia ser a maluca do parto normal de gêmeos. Chamamos uma acunpunturista para fazer uma sessão de indução. Taíza deu uma saída para preparar um chá especial pra mim, tomar um banho e trazer mais óleo de rícino pra eu tomar. E nada acontecia. Eu não sentia mais nada.




Já por volta das 15h30 do dia 18/09, após 10h esperando o retorno d…